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A LIBERDADE DE DECIDIR

 28set2005 - Descriminalização do Aborto

Ainda lembro como hoje. A coordenadora levando todos os alunos, em fila indiana, para a sala de vídeo. Mal sabíamos o que se passaria. E assim, nessa inocência, tivemos nosso primeiro contato com a frieza – necessária até – do exercício médico. O vídeo era sobre aborto. A quantidade de sangue definitivamente me impressionou. Dali em diante, o molecote de quase doze anos teve uma outra relação com seu próprio sangue, capaz inclusive de desfalecer em uma simples transfusão. Aquele fato distante na infância, escondido sob o manto educativo, me marcou profundamente. Pelo medo, pelo terror, somente. Se o vídeo fosse sobre transfusão de orgãos traria a mesma sensação, obviamente.

Foi com a mesma surpresa que descobrimos, a uns três anos mais tarde, numa sombria manhã de junho, o falecimento de uma colega. Aborto mal sucedido. E lá estávamos nós, perguntando o porque daquilo tudo. Não suportando a expectativa da pressão familiar, sucumbiu-se nas mãos de espertalhões. Moralismo e educação terrorista nem sempre têm resultados desejados.

A respeito disso tudo, o direito das mulheres de decidir sobre a maternidade. Essa é a luta daqueles que almejam a descriminalização do aborto. Defender o direito ao aborto não é o mesmo que defender o aborto, muito menos estimular ou obrigar as mulheres a abortar, como bem ressaltou Alcilene Cavalcante. É, sobretudo, garantir a liberdade à maternidade e à vida a todas as mulheres. Ao Estado cabe zelar pela integridade da saúde da mulher. Nada mais ético e socialmente justo trocar a clandestinidade das clínicas açougueiras pela assistência médica em hospitais públicos.

Boa parte dos abortos clandestinos acontece em lares com pouca instrução sobre métodos contraceptivos. A expectativa de uma vida decente é mínima. Uma gravidez indesejada é resolvida, em muitos casos incidentes nas classes populares, com tradicionais ‘garrafadas’, chás à base de raízes. Comprimidos de permanganato de potássio (ou algum medicamento contendo o misoprostol como componente ativo) podem ser comprados, no mercado negro, a R$300,00. Talos de mamona são muito utilizados no meio rural. Agulhas de crochê ou qualquer outro objeto pontiagudo são instrumentos bastante preferidos nas cidades. Em qualquer situação, a vida da mulher corre seriíssimo perigo.

Os fundamentalistas religiosos, latentes nos grupos conservadores,  ficam de cabelos em pé (sob a bandeira do direito à vida) ao imaginar os hospitais públicos fazendo aquilo que as clínicas particulares fazem sem o menor remorso. Esse grupo, especificamente, guarda ainda outra terrível incoerência. O apego às campanhas anti-aborto é tão tenaz quanto a simpatia pelas penas capitais. Isto é, do embrião – que tecnicamente ainda não é uma vida (é apenas um devir, uma possibilidade) surge um ser humano, vivo até entrar em descompasso com as regras sociais, quando menor infrator ou um adulto vagabundo. Aí, nesse caso, a mesma ética tortuosa diz despudoramente que a morte - por armas oficiais ou registradas no órgão competente - é merecida.

Assim como o Estado não tem prerrogativa na escolha de minha ou da sua religião, é de se entender que não é de sua competência o direito de interferir naquilo que é de foro mais íntimo da mulher: a liberdade de decidir sobre a maternidade.



Escrito por Juliano às 12h51
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TAXONOMIA DE JULIAN BLOOM

Um dos primeiros post's que li no excelente blog do Afonso era sobre a deliciosa e difícil convivência entre os colegas de profissão (esse, especificamente, foi publicado no dia 02 de agosto). Entre aqueles que tem o trabalho desenvolvido de forma essencialmente coletiva, essa convivência ainda é mais 'turbulenta'.

Já luto contra a tentação do ócio por quase uma década, sempre em funções eminentemente públicas. Nesse tempo, tenho catalogado muitos coleguinhas que são, hum, trabalhosos. A maior parte de meus pares, no entanto, me deixou uma incontida saudade. Os outros - apesar de serem genericamente ‘outros’ - se subdividem em classes e subclasses numerosas – afinal, o bom é sempre bom; o mau é mau cada qual a seu modo... Resumidamente, consegui vê-los (ah, como em um filme...) em sete tipos especiais:

1. “Sossegado”: Dê-lhe um susto e espere vê-lo gritar semana que vem. Morte súbita como causa mortis é algo impensável. Dialogar com esse tipo é um verdadeiro exercício de paciência. Não raro, aproveita desse aspecto cândido, digamos, para se escorar nos colegas. É mestre em morcegar.




2. “Caladão”: não te explica nada sobre aquele serviço a ser feito, mas olha com bastante interesse seu desenvolvimento. Jamais fala o que pode estar certo ou errado DURANTE O TRABALHO. Quando terminado, receita um punhado de defeitos que aconteceu. Esconde-se sob uma carapaça mal humorada. Nunca espere cooperação desse sujeito.

3. “Curioso”: quer saber de tudo o que você está fazendo. Possui uma curiosidade mórbida. Para quem está de fora, até dá por chefe esse sujeito, tamanha é sua disposição em coletar informações e se inteirar da situação. Geralmente esse tipo é pouco produtivo. Sua energia é gasta basicamente em coletar informações. Se estiver empregado em algum Sistema Secreto de Informação, esse tipinho progride. Como não há tanto emprego na Agência Brasileira de Informações e a CIA ou o FBI ainda não tem uma seção oficial no Brasil, esse perfil floresce com sucesso apenas no serviço público. Agüentem, Barnabés!



4. “Onipresente”: Não há um colega aqui que não se inclua no perfil anterior. Nessa classe está a maioria dos "curiosos". Os “Oni”, para os íntimos, são bastante espaçosos. Falam muito. Muito mesmo. Inverte o ditado "Pensar pra falar". Quando esse tipinho falta no serviço ou vai ao banheiro, não é raro todo mundo suspirar aliviado (infelizmente, pessoas com esse perfil faltam apenas em ocasiões raras, do tipo um-míssil-neozelandês-destruindo-a-Ponte-Rio-Niterói. Quanto a ir ao banheiro, parecem ter rins e intestinos espetacularmente flexíveis).




5. "Invejoso": esse tipo aparece em qualquer função. De serviços gerais aos poderosos Conselhos Executivos de multinacionais. Adoram puxar o tapete do colega. Geralmente são também puxa-sacos (vide tipinho nº 4). Prestam muito mais atenção em você do que no próprio trabalho. No entanto, procura ser dissimulado. Como quer crescer à custa dos outros, sempre procura manter sua imagem de bom mocinho. Nos bastidores, porém, sua língua é ferina e seu comportamento é ofídico. Apronta o maior dos rebuliços e ainda tenta passar uma imagem de anjo. Valha-me Deus...



6. "Puxa-saco": pensa que estar do lado do chefe é o passo fundamental para ser presidente da ONU. Almeja alto. É eficiente. Geralmente tem a antipatia dos colegas. Enquanto está o atual chefe, sua vida pode até estar arrumada. Complica quando chega chefe novo. Mas como esse tipinho muda de time como muda de roupa, em segundos já está puxando saco do novo superior. É a pior forma de se dar bem no serviço.




7. "Pessimista": se você precisa de palavrinhas para deixar de boa sua auto-estima, por favor, fique a quilômetros desse tipo. Avise-o que você ganhou R$5.000.000,00 na loteria, ele te lembrará do enorme valor a ser pago ao Fisco. Lhe dirá ainda que aumentará em 325% o risco de ser assaltado, 560% de ser vítima de latrocínio. Dirá ainda que é uma vergonha alguns concentrarem tanta grana quando existem milhares e milhares de crianças passando fome. Agora, se você deseja converter esse "pessimista" em um bacaninha "otimista", cede seu prêmio a ele...

***

Se identificou algum colega, parabéns. Você é normal. Se conseguiu identificar algum coleguinha em mais de três tipos, agradeça aos céus. Não há limbo adequado como estágio para sua chegada ao paraíso. Despreocupe-se: as chances são remotas de se divertir lá embaixo, mergulhado no lago de enxofre junto com o Coisa-Ruim. Lembranças a São Pedro, OK?

***

P.S. 1: a falta de auto-crítica me impossibilitou de identificar outro tipo de colega chato. Os chatólogos provaram, por a + b, que os observadores de chatos são os maiores dessa espécie já encontrados na natureza (e isso que é auto-conhecimento por excelência). Não obstante, foram os últimos a serem catalogados - talvez por absoluta falta de espelho. A tática usada por esse grupo é conhecida como 'create a scarecrow'. Sim, um disfarce para a chatice, implícita em quase todas as sete qualidades anteriores. Em doses micrométricas, modéstia à parte.

P.S. 2: Nessa taxonomia, meu amigo Afonso não justifica seu famoso epíteto.



Escrito por Juliano às 13h30
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AMIGOS! MEIA-VOLTA, VOLVER!

A melhor forma de evitar o fogo amigo é, obviamente, se retirar da linha de fogo.

Descontados o surrealismo do sonho e a ingenuidade do sonhador, Sharon estava perto de receber o Nobel da Paz, em Oslo. O sonho, se existiu, acabou.

Escrito por Juliano às 21h19
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ALGO EM COMUM ENTRE FURACÕES E TODDY

As previsões climáticas para os próximos anos são tenebrosas. A previsão do progressivo aumento da temperatura global indica que a constância e intensidade dos furacões serão bem maiores, afetando inclusive áreas antes incólumes a esses fenômenos naturais.

O Caribe é uma das áreas mais suscetíveis aos tornados, furacões e congêneres. Ao convergir para as áreas de baixa pressão localizada nas imediações da América Central, os alísios (ventos que sopram dos trópicos para as regiões equatoriais) de ambos hemisférios proporcionam a ascensão de uma massa de ar giratória que, alimentada pelo ar úmido marítimo, vai lentamente se agigantando.

Essas ventanias incomodam os caribenhos e moradores das adjacências há muito tempo. No início do século XX, por exemplo, um poderoso furacão varreu a ilha de Porto Rico. Na ocasião, uma desolada família de imigrantes espanhóis viu a lavoura de cacau ser totalmente aniquilada. Um dos filhos, Pedro Santiago, resolveu mudar de ares. Ao chegar nos Estados Unidos, se transformou num perfeito exemplo de self-made man. Em pouco menos de quinze anos, passou de lavador de banheiros a próspero empresário do ramo alimentício.

A terra que deu uma das maiores desilusões para sua família foi a primeira a conhecer o que seria seu maior sucesso. Em 1930, em Porto Rico, Santiago lançou o achocolatado “Toddy”. Originalmente, atendia pelo nome uma bebida escocesa feita com mel, leite, ovo e uísque. Na versão caribenha levava rum, cacau e melado de cana – que era também conhecido por “Rum Toddy”. O apurado tino empresarial do rapaz o levou a registrar a marca. Apesar do nome, o produto de Santiago procurava conservar as propriedades gustativas da versão modificada da bebida.

O achocolatado faz sucesso até hoje. Quase sempre pelo gosto, às vezes pela graça.

Escrito por Juliano às 13h46
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CHUCRUTE COM COCA-COLA

Eleição acirrada, defesa do estado-mínimo, importância da luta contra o eixo do mal, políticas rígidas de controle migratório. Um Bush de saias?

Para a felicidade da crescente comunidade pobre e discriminada (aqui incluído os mais de dois milhões de turcos), a Alemanha está fora do circuito mundial de furacões. Nenhuma previsão de se ter na terra do chucrute o desastre social que sucedeu em New Orleans, portanto.

Se quiser mesmo imitar seu colega em Whashington, a mais-que-provável eleita Angela Merkel deverá mostrar sua incompetência em outros departamentos. Se, ao menos, conseguir governar.

Escrito por Juliano às 13h20
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FAROESTE URBANO

Foi através dos pequenos livros de bolso da Editora Monterrey que tive contato, ainda criança, com a poeira do Texas, os cavalos selvagens do Oklahoma e os bravos sioux de Dakota do Sul. Enfim, desbravei uma terra sem lei, o oeste dos Estados Unidos. Os impiedosos vilões, com suas caras mexicanas, indígenas ou mestiças, eram os homens a serem derrubados. O mais rápido no gatilho prolongava sua vida até o próximo duelo. Vez por outra, o xerife - corrompido por duas caixas de uísque - se transformava em um vilão a mais, sentindo o calor do chumbo quente na testa. Ou, em outros casos, figurava apenas como decoração nessa luta do bem contra o mal. A realidade dava mostras de que o Colt45 no coldre e o Winchester na cela eram as únicas fontes confiáveis de segurança.


Estréia, em outubro, a nova novela das sete, Bang Bang. (População brasileira com mais de dezesseis anos, preste atenção. Dia 23, vote não.)
Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Escrito por Juliano às 13h32
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SOTERIOLOGIA RUBRO-NEGRA

A salvação do melhor time do mundo é originária do Paraguai. A euforia - nada prudente, já que foi o primeiro jogo do paraguayo, um joguinho só - lembra um ingênuo otimismo etí­lico, capaz de deixar no esquecimento o futebol pobre apresentado esse ano (e nos últimos dez também). Euforia... as piores ressacas saem de uísque paraguaio.

Escrito por Juliano às 12h13
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FILHOS

Era médico, como o Roberson. Vivia nos dourados anos cinqüenta – que no interior de Goiás não eram tão glamourosos assim. Aos quarenta e cinco anos, Isaque contabilizava nove filhos. Como único médico da região, muito trabalhava – apesar da concorrência quase desleal das parteiras e curandeiros.

Sua casa não era muito luxuosa. Mas para os padrões da cidade, uma mansão. A moradia era bem localizada: de frente a praça matriz, local preferido da criançada para as brincadeiras.

De tardezinha, a molecada só parava a algazarra quando dona Ciana, a esposa do clínico, convidava toda a gurizada para se deliciarem com os açucarados nhoques acompanhados pelo suco de limão. E lá ia o bando – quase a metade sangue de Ciana.

Vez por outra, Isaque chegava junto com a dispersão dos coleguinhas de seus filhos. Ciana era danada de prevenida. Sabia que o marido chegava quase sempre cansado – e queria poupá-lo de inconvenientes. Depois dos quarenta, o marido começou a reclamar de leves enxaquecas após os expedientes – o que Ciana não conseguia entender, pois para ela médicos sempre deveriam estar com saúde.

Em um desses dias de forte dor de cabeça, coincidiu de entrar pela sala enquanto Ciana oferecia as saborosas quitandas aos moleques, sentados em torno de uma pequena mesa. Desabou no sofá, fechou os olhos, esfregou as mãos na têmpora, e assim ficou durante vários minutos.

Quando abriu os olhos, a criançada continuava sentada à mesa. Na bandeja de nhoques só havia farelinhos. Mas a jarra de suco ainda tinha o suficiente para encher meio copo. Levantou do sofá, parou próximo a mesa, encheu o copo e sorveu de um só gole o suco.

Arrumou um jeito de sentar perto da esposa. Frente a ambos, um dos meninos abaixou a cabeça assim que Isaque lhe firmou o olhar.

- Olha, menino – falou firme - já está tarde, está passando de hora de você ir para sua casa.

- Isaque – foi a resposta murmurada e surpresa da esposa – esse é o João Manoel, o nosso caçula!



Escrito por Juliano às 22h02
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DESENVOLVIMENTO E INDEPENDÊNCIA

No sete de setembro, foi recorrente a publicação de textos veiculando a situação de dependência ao subdesenvolvimento. Desses, um dos últimos (concordando ipsis literis) se encontra no Longe Demais.

Nos longínquos anos do ensino fundamental, acompanhei a substituição de uma geografia tradicional – bem retrô e cheia de decorebas – por uma geografia crítica (que, ao que parece, continua sendo surpreendentemente mnemônica). Contaminados por um marxismo torto, não era raro encontrar explicações um tanto que heterodoxas sobre as relações entre os países. Para explicar a existência de países subdesenvolvidos e desenvolvidos, a fórmula ‘países explorados e países exploradores’ saía da manga, e, como uma mágica, tudo estava explicado.

Nesse contexto, acusar os EUA de ser o explorador-mor, nosso algoz, era um passo. Diabolizá-lo ia de brinde. Como se o Estado americano fizesse curvar – por seus próprios interesses – o Estado brasileiro.

(Não pretendo prolongar sobre o conceito usado nesse post para Estado. Se eu dissesse que lá o Estado é representado pela burguesia [BINGO!], deveria reconhecer que aqui também é. E seria interessante uma burguesia explorando outra burguesia. Ou sei lá.)

Yves Lacoste, há mais de trinta anos, falava já sobre esse fenômeno. O capital hoje é transnacional e que, como tal, não respeita fronteiras nacionais. E mais: essas relações desiguais só existem porque a minoria privilegiada nos países pobres é parceira dessas mega-empresas.

Militarmente, não há dúvidas. Os EUA são o maioral, a ponto de peitar resoluções da ONU e se lançar numa guerra contra a opinião de todo o mundo. Já economicamente, a correlação de forças não permite o Estado americano se isolar do mundo. Isso: a maior potência do mundo é dependente, como muito bem lembrou Edk.

E se alguém mesmo deseja que nosso país tupiniquim seja um país realmente independente, nesses termos, lance a idéia da nacionalização das empresas estrangeiras – e reze para que os produtos brasileiros alcance o mercado mundial. É melhor retórica vazia e aplausos, não?


Sociologia de botequim acaba aqui. Estou distante 256 km de casa, a Lan-House vai fechar e eu estou muito cansado.



Sete de setembro foi um excelente dia para o contador do blog. Registrou 57 visitas. Troquei até o Extreme pelo SiteMeter, na esperança de continuar com tanta visita. Grande bobagem. Graças ao ‘Nós na Rede’, fui linkado pelos maiores figurões da blogosfera brasileira. Aí, tudo dá certo, não?



Escrito por Juliano às 20h53
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A MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO



A montagem acima é do excelente kibeloco. Uma sátira próxima do real. Serra, um dos principais nomes da social-democracia brasileira (!), autorizou a propaganda nos uniformes da criançada que estuda em escolas municipais. José Pinotti, o secretário da educação, já faz as contas com a diminuição de gastos: 70 milhões liberados para outras demandas. Isso: a educação não é investimento, é gasto.

Cada vez mais a mercantilização penetra na educação. Além de se transformar em garoto-propaganda, o aluno é um importante consumidor em potencial. Se não conseguir se transformar em comprador, não há problema (frustração de pobre não é problema). O outdoor ambulante já contribuiu com a divulgação da marca para aqueles que realmente podem comprar.

Se causa estranheza essa nova política educacional, há tempos a mesma é familiar ao norte do Rio Grande (o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil, certo?). No Colorado, o Estado assinou um acordo com a Coca-Cola que renderá US$ 8 milhões no decorrer de dez anos. A meta das escolas é vender mais de 70 mil caixas de Coca-Cola por ano. Para isso, é facilitado o acesso do aluno a cantina em qualquer horário, oferta de máquinas de refrigerante por todo o colégio e a permissão de tomar refrigerante em sala de aula.

Já o Channel One Television patrocina material televisivo para doze mil salas em todo território estadunidense. A contrapartida das escolas é garantir que os alunos irão assistir o canal diariamente. Interessante, se não possuísse 80% da programação voltada para entretenimento, esportes e, claro, propaganda. Os investimentos em material didático cada vez mais se transferem da esfera pública para a privada - piorando visivelmente.

No Estado da Geórgia, um fato inusitado. Uma escola secundarista participava de um concurso da Coca-Cola. No momento da pose para a foto, um dos alunos retira a camiseta de uniforme (com a marca Coke) e, por debaixo, aparece a marca da concorrente, Pepsi. Resultado? Suspensão para o engraçadinho.

O ensino público nos Estados Unidos está em crise. A incompetência do Estado na área da educação é o motivo das parcerias com a iniciativa privada. É, talvez, a pior saída. Determinadas políticas de parcerias entre o público e o privado pode desobrigar aquilo que é obrigação do Estado: educação pública, gratuita e de qualidade. Não tendo prioridade, a educação entra em crise. Questão de lógica.

Tomara que não haja muita suspensão no ensino municipal paulistano.

(Post influenciado pelas leituras de Apple e Moore)

Update (15/09/2005): O Imprensa Marron publicou um excelente texto sobre o mesmo tema. Vale a pena conferir.



Escrito por Juliano às 16h49
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SIM, EU ACREDITO!

Curioso pouco, foi só ver no blog da Dani para ir e fazer o meu teste. Impressionante. Videntes e terapeutas com dias contados...


Como você opera, age, frente aos seus objetivos e desejos:
Precisa de ambiente calmo. Quer libertar-se da tensão, de conflitos e desacordos. Esforça-se por controlar a situação e resolver seus problemas, por um procedimento cauteloso. Tem grande sensibilidade e apurada noção de detalhes.

Quer causar impressão favorável e ser reconhecido. Precisa sentir-se querido e admirado. É sensível, magoa-se facilmente se não o notam, ou se não lhe dão tratamento adequado.

Suas preferências reais:
è volúvel e desenvolto. Precisa sentir que os acontecimentos se estão desenrolando de acordo com o desejado, do contrário a irritação pode levar a volubilidade ou a atividade superficiais.

Está tendo dificuldade em progredir; sem disposição para esforçar-se mais. Procura condições mais favoráveis, em que possa evitar quaisquer perturbações.

Sua situação real:
As circunstâncias são tais que se sente obrigado a transigir por ora, se quiser evitar que o isolem do afeto ou da participação total.

Insiste em que suas metas são realistas e apega-se obstinadamente a elas, muito embora as circunstâncias o estejam obrigando a transigir. É muito meticuloso nos padrões que aplica a escolha do cônjuge.

O que você quer evitar:
Interpretação fisiológica: Tensão devida a sensibilidade suprimida. Interpretação psicológica: Delicia-se com o que é de bom gosto, gracioso e sensível, mas mantém a atitude de avaliação crítica e recusa a deixar-se empolgar, a menos que possa garantir absolutamente a veracidade e a integridade. Por conseguinte, mantém controle rígido e alerta sobre suas relações emocionais, já que deve saber exatamente em que posição se encontra. Exige completa sinceridade como proteção contra sua própria tendência para confiar demais. Em suma: Receptividade controlada.

Seu problema real:
Precisa proteger-se contra a tendência para confiar demais, já que julga estar sujeito a ser incompreendido ou explorado pelos outros. Portanto, está procurando uma união de intimidade tranqüila e compreensiva em que possa haver perfeito entrosamento [N. do B.: único porém do teste. Digamos que a análise está com uns três anos de atraso, heheheh].

Trabalha para consolidar sua posição e favorecer seu amor-próprio, examinando sua próprias realizações e as dos outros com avaliação crítica e discriminação científica. Insiste em enfrentar as circunstâncias às claras e inequivocamente.



Escrito por Juliano às 09h32
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7th OF SEPTEMBER - INDEPENDENCE DAY

É impressionante como há gente nesse mundo que insiste em obviedades. Algumas muito, mas muito irritantes, mesmo. Em feriado, então, elas assolam. Almoço óbvio, convidados óbvios, comentários óbvios.

Das duas obviedades mais ululantes, uma já aconteceu. A outra está para acontecer.

Vamos por essa última: ali na cozinha está terminando de ser aprontado o almoço. Após, pavê. É inevitável o “é pavê ou é ‘pra comê?’”. Ggrrrr...

Fato óbvio já acontecido: é fácil reconhecer que esse feriado é, talvez, um dos mais férteis em chavões. O Homem-Chavão ainda não atualizou seu blog, mas o Tas sim. E não poderia ter vindo melhor: “o Brasil está independente? De quem? Do que?”.

O que Marcelo espera que seus leitores escrevam? A julgar pela 183ª vez que essa pergunta é feita, as respostas vão ‘variar’ de “O Brasil tem apenas passado de colônia de Portugal para colônia dos EUA” a “O imperialismo capitalista americano não nos dá motivos para comemorar o sete de setembro”. Fora isso, poderá ainda ter observações supra-importantes da ‘direita anaeróbica’ (©SSoB).

Em perguntas retóricas inócuas, meus alunos da 5ª série se sairão bem. Bônus de dois pontos para quem comentar lá. Está bem na zona de desenvolvimento proximal das crianças de dez anos, como diria meu amigo Vygotsky.

Enfim, pavê só ano que vem (e Dia da Independência também, felizmente).



Escrito por Juliano às 11h55
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EVIDÊNCIAS, EVIDÊNCIAS (II)...

Cláudio de Moura e Castro gosta muito de evidências. Na educação, estritamente. O mesmo economista não sustentaria (e creio que muitos de seus pares) as mesmas estratégias em sua própria área.

A revista para qual Castro trabalha há muito insiste sobre a imbecilidade de contrariar os interesses de Bush&Cia.  O Canal da Imprensa oferece pistas para explicação desse fascínio pelo american way of life.

Do relacionamento diplomático com os EUA e o respectivo sucesso (ou não) dele alcançado temos dois exemplos recentes aqui, na parte meridional da América.

A Argentina passou recentemente por uma crise violenta. Ainda não amolecidos pelo efeito tsunami, ficamos insensíveis ao infortúnio  de nossos hermanos. O criador do plano de estabilidade econômica argentino, Cavallo, foi convidado para tomar as rédeas da economia. Mesmo assim, a carruagem capotou de vez. Em tempo: a Argentina é uma parceira histórica dos Estados Unidos – mesmo após o apoio dos estadunidenses aos ingleses na Guerra das Malvinas, em 1982.

Já a Venezuela, governada pelo bufão e genioso Chavez, arrotou um populismo esquerdista em graus latitudinais bem mais próximos da Grande Potência. Ninguém duvida que Bush o considera persona non grata. Muito menos que boa parte dos republicanos, como Pat Robertson, prefere vê-lo duro e gelado. Apesar de contar com uma aguerrida oposição, a Venezuela continua na mesma vidinha pré-Chavez.

Ao contrário dos terroristas de plantão bem localizados na imprensa tupiniquim, contrariar interesses dos Estados Unidos não leva ninguém para o buraco. Lamber suas botas, sim.

Mas, convenhamos. São somente evidências.

Escrito por Juliano às 13h24
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O mundo dando voltas

É, no mínimo, algo insólito: o Todo-Poderoso Bush recebendo ajuda bolivariana e castrista. O Estado Forte ajudando o Estado Mínimo é uma cena forte. Principalmente para quem julgava pra lá de démodé a obrigação estatal em assistir os cidadãos quando necessário.



Escrito por Juliano às 18h21
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