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EU TIVE UM SONHO
Os candidatos foram Alckmin, César Maia, Heloísa Helena e, claro, Lula. Parte considerável dos tucanos apoiou o prefeito carioca. A Heloísa quase conseguiu, mas pequena margem de votos colocou Maia no segundo turno, apoiado nesse round por todos os outros partidos de oposição. A derrota do PT foi acachapante.
No Congresso, Fleury se destacava como líder do novo governo. Em companhia de gente de outras lutas, propôs um pacote de medidas visando atacar os bandidos brasileiros. No pacote, dois previsíveis referendos: um pela redução da maioridade penal para catorze anos; o outro visava oficializar a pena de morte no Brasil.
O mais polêmico, porém, foi o projeto aprovado do Bolsonaro intitulado ‘Para cada cidadão, um revólver na mão’. Acordo bilionário entre o novo governo e a Taurus possibilitou a venda de armas a preços populares para gente de bem. Ticket’s munição eram doados junto com cestas básicas, permitindo qualquer pessoa comprar balas em supermercados credenciados.
O sonho acabou no momento em que eu colocava a plaquinha ‘Aqui mora um cidadão de bem’ no muro aqui de casa. Lembro ainda que um grupo de mendigos deitados na calçada saiu em disparada. Estavam pálidos e com os olhos arregalados.
Escrito por Juliano
às 13h28
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PRESIDENTE POR UM DIA
Hoje tive um dia de presidente. De seção eleitoral, que fique claro. O privilégio de enforcar dois dias na repartição me deixa cada vez mais honrado com meu compromisso de cidadão.
A eleição foi tranquilíssima. Nem os sexagenários vovôs tiveram trabalho. Dois cliques, e pronto.
O resultado da minha seção não me assustou; pelo contrário, confirmou minhas suspeitas. Pelo NÃO à proibição do comércio de armas e munição, 125 votos. O SIM ficou com pífios 24 votos.
Muitos blogs partidários do NÃO já davam como certo a vitória do SIM. Para eles, o povo é burro, ignorante. Não saber escolher seus políticos é uma prova da inaptidão da plebe. Logo, escolherão a opção errada. Só isso que gente estúpida faz. E os brasileiros são ignaros por natureza. Esses blogueiros questionavam inclusive a veracidade da pesquisa que dava a vitória ao NÃO.
Alguns desses terão minha visita assim que sair o resultado oficial do referendo. Quero ver a explicação para o inusitado fato. Teriam os brasileiros se conscientizado de sua insignificância e acordado do berço esplêndido? Ou os tais blogueiros compartilham da índole daqueles que por eles foram 'diagnosticados'?
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Nenhuma notícia pré-referendo me divertiu mais que essa.
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A madrugada de hoje me presenteou com um sonho pra lá de bizarro. Amanhã eu conto aqui.
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Enfim, a normalidade. Nada de propagandas demagógicas, nada de lixo eletrônico. Acima de tudo, sem debates dividindo famílias e abalando amizades.
Escrito por Juliano
às 19h11
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VELINHAS

Hoje, motor 2.6. Turbo por tempo ilimitado. Como se fosse novo, OK?
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Em 1995, o eufórico então presidente do Flamengo, Kleber Leite, montou uma badaladíssima equipe. A ambição era comemorar o centenário do time com muito champanha. Treinado por Wanderley Luxemburgo, o ‘ataque dos sonhos’, composto por Romário (eleito melhor do mundo em 1994), Sávio e Edmundo, não impediu o pesadelo da campanha flamenguista. Por pouco o time não cai para a segundona.
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O ano era o de 2000. O ministro do turismo Rafael Grecca anunciava uma majestosa comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Até uma réplica da nau de Cabral foi construída. Usando moderna tecnologia e consumindo quatro milhões de reais, a nau Capitânia mal conseguiu fazer o trajeto entre Salvador e Porto Seguro. Não demorou muito para o ministro ser demitido.
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Em 2005, o Partido dos Trabalhadores tinha tudo para comemorar as bodas de prata. Vinte e cinco anos após sua fundação, o PT tornou-se o primeiro partido de esquerda na presidência do Brasil e o maior na Câmara dos Deputados. Os acontecimentos dos últimos quatro meses foram suficientes para deixar a estrela com um brilho opaco e o salão de festas sem luz.
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A revista Caras bem que insistiu na comemoração do vigésimo sexto outubro desse escriba em sua famosa ilha. Os exemplos acima foram mais que suficientes para meu sonoro não. Badalação, flashes, euforia... isso parece trazer uma bruta ‘urucubaca’ a qualquer festejo. E nem precisa ser fracassomaníaco. É só um pouco de prudência. Coisa de matuto mesmo.
UPDATE (19h20): doce surpresa (literalmente) na repartição. A imagem trêmula é testemunha da emoção do fotógrafo-aniversariante. Vai um teco?

Depois do texto de ontem do Ronzi, devo explicações sobre a cor rosa do bolo. ;)
A confeiteira conhece todos os servidores do prédio. No meu departamento existem dois 'Jus'. Uma, a Ju, e um, o Ju. Razão da confusão, então. Bem explicado, né?
Escrito por Juliano
às 07h28
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A CONTRATIO SENSU
O debate no Roda Viva, da TV Cultura, estava sendo anunciado durante toda a semana que se passou. Para os indecisos, uma excelente oportunidade de ver confrontado os principais argumentos das frentes pelo SIM e pelo NÃO à proibição da comercialização de armas de fogo e munição no Brasil.
Eu tentei assistir. Sério mesmo. Depois de ver o dep. Alberto Fraga, presidente da Frente Parlamentar pelo Direito à Legítima Defesa, assinalar que a proibição é um projeto do governo federal (sic!) e que talvez a próxima proibição será o uso de automóveis no Brasil (rá, rá, rá, rá.), não tive dúvidas. Voltei para “Carga Explosiva”.
[São deliciosos esses filmes de ação. A arma nunca mata homens de bem. Ou quase nunca. Se há armas em jogo, o final é sempre feliz. Por isso que adoro a ficção.]
Fiz uma segunda tentativa, entre uma parte e outra do filme. Nessa, assisti o mais midiático geógrafo da era pós-Milton Santos, Demétrio Magnoli, dizer que sua opção pelo NÃO era política. Certo, melhor voltar para o filminho da Globo mesmo.
Na verdade, o que acontece é que os meus cansados olhos e ouvidos estão desejosos de estarem em qualquer lugar, mas com tempo definido: depois de 23 de outubro.
Nesses últimos dias, participei de chats, fóruns e de algumas caixas de comentários. Incrível como esses 'debates' são parecidos com estéreis discussões religiosas. Em sua maior parte, os argumentos, por mais coerentes que sejam, são tão eficientes quanto malhar em ferro frio. Tanto de um lado quanto de outro. As convicções inabaláveis e inflexíveis se sucedem. O silêncio nas réplicas e nos comentários dos post's equivale à discordância. E haja tortuosidade e má-fé entre os debatedores e argumentadores.
A propósito, esse blog não publica mais nada a respeito desse referendo até domingo. A julgar pela hesitação em comentar no excelente post de ontem do Biscoito, a decisão se estende também para as caixas de comentários.
Escrito por Juliano
às 14h03
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NO LIMITE DA EXASPERAÇÃO
Meus instintos mais primitivos (valeu, Roberto!) afloram quando ouço isso e isso.
Exasperadíssimo com isso também, claro.
Escrito por Juliano
às 12h53
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CELEBRANDO...
No Chile, se comemora no dia 16 de outubro. Na Argentina, em 11 e 17 de setembro. Na China, 10 de setembro. Cada dia, em cada país, faz referência e reverência a algum fato ou personalidade homenageado.
Os brasileiros usam o 15 de outubro, hoje, para as comemorações oficiais do Dia do Professor. A homenagem faz referência a 15 de outubro de 1827, ocasião em que o imperador Pedro I outorgou a Primeira Lei Geral da Educação Básica brasileira.
A sociedade patriarcal deixou sua marca, obviamente, mas já acenando mudanças. Apesar de excluir a Geometria na educação das meninas (substituída por costura, bordado e etc.), a Lei concedeu paridade entre os salários dos professores e das professoras. Além disso, procurava descentralizar o ensino no Brasil, autorizando o funcionamento de escolas em vilas e arraiais.
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Da minha listinha de blogs de leitura obrigatória, vários são escritos por gente que exerce (como eu) ou já exerceu a nobre profissão. Homenagens para:
Tereza, do Blogicamente, é professora de Língua Portuguesa em Charneca de Caparica, cidade separada de Lisboa pelo rio Tejo.
Suzana, do Su/Gutierrez (Blog da Su) é professora de Educação Física no Colégio Militar de Porto Alegre e entusiasta dos ambientes virtuais de aprendizagem.
Alfred Neuman, d’O Barnabé, já lecionou história em um cursinho pré-vestibular na capital federal.
Edk, do Longe Demais, também já deu aulas de história em Rio Branco, Acre.
Fernando Cals, do Observador, atuou em uma Faculdade de Arquitetura por mais de catorze anos.
Roberson, do Incontinentia Verbalis, é professor universitário, lecionando medicina legal no primeiro Centro Universitário do estado de Goiás.
Idelber, do Biscoito, ilustra o quadro de professores da Tulane University, em Nova Orleans, EUA.
Luis Palma, do Geografismos, está exercendo a profissão em Lisboa. Montou uma maravilhosa rede de blogs entre seus alunos.
Ana Lúcia, do P(Arte), PhD em História da Arte, é professora universitária no Canadá.
Daniela, do Idiossincrasia, especialista na língua do mercosul, trabalha na UFBa.
Antonio Carlos, do Geógrafos Sem Fronteiras, leciona Geografia no Instituto Coração Eucarístico, em Belo Horizonte-MG.
Nina, do Em poucas palavras, ensina as crianças de Pouso Alegre, também em Minas, sobre a 'arte de manifestar os difersos afetos de nossa alma' (P. Bona).
A todos, Feliz Dia dos Professores.
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Nessa data, é obrigatório lembrar as péssimas condições de trabalho do professor brasileiro – notadamente a maioria, responsável pela educação básica. O salário baixíssimo não permite sequer a aquisição rotineira de livros. Poucos professores possuem acesso a Internet. Aqueles que possuem, falta o precioso tempo – uma vez que se desdobram em dois ou mais empregos (eu que o diga, com meu eventuais três períodos de trabalho por dia...).
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Hoje, assim como em qualquer outra data, sempre aparecem textos-chavões. Não vê-los é como passar o sete de setembro sem discutir se o Brasil é ou não independente. Abaixo, um texto que, mormente tê-lo visto pela primeira vez há uns dez anos, não consigo esconder um maroto sorriso nos lábios ainda hoje.
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O PROFESSOR SEMPRE ESTÁ ERRADO
Quando...
É jovem, não tem experiência. É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado. Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta no Colégio, é um “Caxias”. Precisa faltar, é um “turista”.
Conversa com outros professores, Está “malhando” os alunos. Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos. Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende. Fala a ‘língua’ do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude. Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição. O aluno é aprovado, ‘deu mole’.
É, o professor está sempre errado. Mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.
Anônimo
Escrito por Juliano
às 10h16
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ALÉM DAS CPI's
 Camilla Amaral, ex-assessora de imprensa da senadora petista Ideli Salvatti.
‘Katrina’ Somaggio deve estar morrendo de inveja. A exuberância de Camilla Amaral deixa Karina com uma beleza semelhante aos efeitos do furacão-quase-homônimo. E é também mais comedida (ou com medida?). Segundo fontes confiáveis, o cachê pago pela Playboy foi de R$ 300.000,00. Módicos trezentinhos. Míseros, comparados com os dois milhões pretendidos pela ex-assistente do carequinha.
Essa diferença de honorários é uma prova inconteste de que Karina era apenas uma franguinha ‘de granja’ em acesso megalomaníaco, se achando o último chester em véspera de natal.
A propósito, a sessão Andy Warhol continua.
Escrito por Juliano
às 20h14
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OS CAROLAS E AS ARMAS
Proibição do comércio de armas e munição no Brasil
De início, vejo as razões em votar sim muito mais imperativas e sensatas. Escolha do coração, escolha da razão. O cotidiano mostra que o problema é o excesso de arma, não sua falta. Arma de fogo tem uma única finalidade: matar, independentemente dos miolos no chão serem de um parente, um amigo ou algum infeliz que atentou contra o poderoso direito à propriedade individual. Na minha pobre consciência moral, homicídio é e sempre será homicídio.
Assustam-me, particularmente, pessoas religiosas [notadamente as cristãs], engajadas no NÃO. A surpresa é tão grande quanto descobrir que fãs de Ghandi estão favoráveis a resistência armada. O cristianismo oferece claramente uma filosofia pacifista – apesar de muitas vezes a história dizer que na prática a teoria é outra. O louco do Nietzsche, ao analisar o cristianismo, considerava que cristão bom era aquele que por debilidade moral aceitava a submissão facilmente. Um homem fraco, portanto.
Apesar do site do Referendo Sim ter uma seção “Religiões pelo Sim”, a opção dos fiéis parece nem sempre corresponder (o que não é de todo ruim, imaginando que a decisão final é pessoal e não influenciada pelo pastor, padre ou outro líder religioso qualquer). Pessoalmente, conheço vários ‘carolas’ a favor do Não. Gente que discursa muito bem sobre fé, Jesus, Deus, diabo, inferno e pecado, admite sem pudores que a legítima defesa, da família ou da propriedade, é natural.
Pouco conheço de assuntos teológicos. Não é preciso, contudo, ser especialista para reconhecer a índole pacifista dos princípios cristãos. Um exemplo: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente'. Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se alguém processar você para tomar a sua túnica, deixe que leve também a capa. Se um dos soldados estrangeiros força-lo a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e, se alguém lhe pedir emprestado, empreste" (Mateus, 5:38-42).
E quanto ao direito à propriedade? Uma associação conservadora cristã, a ACSI (Association of Christian Schools International), na sua Enciclopédia das Verdades Bíblicas, reconhece a condição comunitária da propriedade dos primitivos cristãos. Desaconselha, porém, devido aos inúmeros problemas daí derivados (sic) e de não haver nenhuma recomendação nas epístolas apostolares. E nem de propriedade particular, convenhamos. Divinizar a propriedade privada interessa a quem?
A arte de interpretar é a matriz da pluralidade religiosa. Pieguice à parte, a Bíblia e o Alcorão servem tanto para matar quanto para amar. Assim como no referendo, a decisão é sua.
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Razões que me levam a votar SIM estão no post abaixo.
Escrito por Juliano
às 12h56
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DESARMAMENTO (iii) - PENSANDO ALTO
1. A segurança oferecida pela arma é ilusória e traiçoeira;
2. Arma de fogo é potencialmente mais perigosa do que a concorrência;
3. Bandido adora roubar revólveres;
4. O discurso do ‘não’ é bonitinho para a classe média instalada em nobres subúrbios e para latifundiários com milícias de prontidão;
5. Existem outras formas de segurança. Cerca elétrica mais Stalin, um legítimo pastor-alemão, dão conta do recado. Ademais, mundo cão é esse em que qualquer propriedade vale mais que uma vida;
6. O Referendo não é uma proposta petista, muito menos lulista. Logo, não é do governo. Na frente parlamentar estão políticos nada íntimos ao trato de 'cumpanhêro', como o deputado ACM Neto (PFL) e o senador Tasso Jereissati (PSDB);
7. Incoerência é acusar os argumentos da Frente pelo SIM de demagógico, fechando os olhos para o uso de mentiras e de meias-verdades apresentadas pelo outro lado;
8. Sou a favor do amplo e irrestrito desarmamento, de quem quer que seja; comecemos pelo mais fácil, que é desarmar os ‘homens de bem’, distantes dos ‘homens do mal’ (oh, maniqueísmo demagógico...) por apenas um aperto no gatilho;
9. Desarmamento é uma coisa, referendo é outra. Isto é, o referendo não é capaz de desarmar bandido. Todavia, não são apenas as armas de bandidos que matam.
10. Resta saber se alguém que anda armado sem autorização legal (porte de arma) é uma pessoa de bem; não é. Assim como não é aquele que se recusar a entregar o Taurus após uma hipotética vitória do Sim. O referendo tem poder de lei. E lei é lei.
11. Para quem admite a hipótese futura de alimentar a criminalidade com a compra de arma e munição, é um terrível paradoxo justificar o uso de armas para proteger a família;
12. Retórica vazia é propor o desarme primeiro do bandido, depois dos cidadãos de bem. Isso, nem aqui, nem nos States, nem na China.
13. Todo ‘bandido’ nasce ‘cidadão de bem’. Desarmar todos os bandidos hoje não é garantia de um amanhã paradisíaco.
14. Depois desse referendo, quero votar em outros. Aqui está uma excelente lista de outras opções.
Escrito por Juliano
às 18h59
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DESARMAMENTO (ii) - DELÍRIOS
A Tensão Pré-Referendo tem espantado o pouco movimento da minha conta de e-mail. Nos últimos seis dias, recebi onze e-mails tratando da votação no dia 23 de outubro; desses, nada menos que dez me propunha uma séria reflexão sobre a necessidade de votar "não".
Um deles me chamou a atenção. Trata-se, especificamente, de como o primeiro líder soviético, Lênin, propunha tomar o poder. Segundo o e-mail, o famoso comunista escreveu um pequeno texto, em 1913, intitulado 'Decálogo'. Nesse escrito, oferecia dez passos a serem seguidos para se tomar o poder.
Nunca tive intimidade com o Vladimir, essa é a verdade. Tive sérias resistências à leitura de ‘Que fazer’ na juventude, por conta de sua prolixidade. Mas imaginar que o tal seja responsável por um bilhetinho tão tosco é difícil. Qualquer um que já leu Lênin reconhece facilmente o engodo.
O ‘Decálogo’ se esparramou como praga pela Internet. Como participarei da blogagem coletiva do ‘Nós na rede’ do próximo dia 10, voltarei ao assunto na ocasião. Por ora, é justo dizer que a suspeita lançada no parágrafo anterior é comprovada. O texto é apócrifo. Uma lenda urbana, nada mais. Mesmo assim, gente que acredita nas terríveis forças ocultas e mascaradas da sociedade (sim, estou falando do ‘Leviatã fidelulista’, Foro de São Paulo e demais bobagens) se agarram a essa fraude.
Enfim, o texto do e-mail segue abaixo.
[Antes de qualquer coisa, o texto ‘sério’ acaba aqui. Estou um pouquinho cansado e quero brincar um pouco. Não vou poupá-los dos comentários infames. Não me levem a sério, OK?]
O Decálogo de Lênin
Em 1913, Lênin escreveu o "Decálogo" que apresentava ações táticas para a tomada do Poder. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência.
1.. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual; Eu sabia que havia muito mais que liberdade herbácea na minha pobre militância estudantil. Devo contactar meus antigos companheiros de luta da UJS para me dar explicações? Ou seria melhor procurá-los com o Taurus carregado para aliviar meus traumas adquiridos por tamanha abstinência?
2.. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa; Ora, pois, quem não sabe disso são os detratores do mestre Olavo. Deixa só quando descobrirem que Olival Freire Jr. é o pseudônimo adotado por Tales Alvarenga para editar a Princípios...
3.. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais; Os grupos populacionais são naturalmente harmoniosos. Esse discurso de desigualdade só surgiu quando esses malditos comunistas apareceram. Para voltar a harmonia, fim para eles – com Taurus, preferencialmente.
4.. Destrua a confiança do povo em seus líderes; 'Tá vendo, mamãe... te falei que a Veja era comunista...'
5.. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo; Uai, num é que os milicos eram comunistas?
6.. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação; Ahã... e nessa ordem se destacam os comunas Paulo Maluf, Delúbio Soares e Regina Duarte. É, o Brasil está cheio de instrumentos comunistas de tomada do poder.
7.. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País; Ora, greves são sempre legais. Ou você não prefere ficar em casa de bermudas assistindo TV em uma plena segunda-feira?
8.. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam; A torcida do Corinthians é o braço armado do PCdoB. A do Vasco também. E a do São Paulo, do Palmeiras, do Botafogo, do Cruzeiro, do Grêmio, do Inter, do Fluminense. Só a do Mulambada que não (apesar de um acreano ainda parecer indeciso); nós votamos no "sim".
9.. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista; Já sabemos o que une Sílvio Pereira, Jefferson, Bispo Rodrigues e Cia...
10.. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa... . Estamos a caminho, OK?
Escrito por Juliano
às 20h55
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DESARMAMENTO (i)
Saracuteando pelo Orkut (ou Sarorkuteando ®Esquizofrenia Viral), deparei já com ardorosa discussão. E, por ser ardorosa, muitas vezes os debatedores se desapegam da razão, dos fatos e dos argumentos – para apenas bradarem para os seus pares e serem calorosamente aplaudidos.
Mostra disso está na transcrição abaixo, recorte das primeiras mensagens de tópicos recolhidas na comunidade ‘Não ao Desarmamento’:
REVISTA TRIP - CRIME ELEITORAL 26/9/2005 12:15 NÃO FOI DITO QUE A PARTIR DE 01/09/05 ESTARIA PROIBIDO A VINCULAÇÃO DE OPINIÕES SOBRE O REFERENDO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO????
E COMO A REVISTA TRIP EM SUA MATÉRIA DE CAPA E AINDA COM VÁRIOS OUTDOORS POR SP FALA SOBRE ARTIGO CONTENDO "O PORQUÊ VC DEVE VOTAR SIM NO DIA 23" ???
26/9/2005 13:11 Denunciem ao TSE e façam a editora ter de pagar uma multa por tal ato!
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Revista Veja: 7 razões para votar não 1/10/2005 02:23
Essa semana vale a pena ler, comprar e até distribuir a revista Veja:
Capa: "Sete razões para votar NÃO na consulta que pretende desarmar a população e fortalecer o contrabando de armas e o arsenal dos bandidos."
É isso que esperamos 1/10/2005 03:42 Parabéns ao editores e jornalistas da revista veja, é isso que esperamos dos meios de comunicações sérios e sem "rabo preso".
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Como coerência é coisa de psicopata, vamos relevando, gente, relevando. Folgo-me em saber que os psicopatas podem estar do lado de cá. Pelo menos estarão desarmados.
Escrito por Juliano
às 10h29
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