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UFF!
Dezembro não é um bom mês – para trabalhar, diga-se de passagem. O mais curto do ano (sim, dezembro termina dia 23, não?) sofre por resolver afazeres que os outros meses não conseguiram liquidar. Excedente de janeiro, que passa para fevereiro, que passa para março (...) enfim, quando chega no décimo segundo mês desse nosso calendário, está um ‘excedente12’.
E aí dá a doida nos chefes. Eu, aqui no blog, só a partir do próximo dia 12. Viagens, viagens, viagens (saudade imensa de quando essa palavra representava apenas ociosos – e deliciosos - prazeres).
Caso não esteja aqui – ou em vossos blogs – na data marcada, certamente será o sinal de que o trabalho me derrotou. Aviso posterior indicará o endereço para envio de flores. ;)
Falando nisso, tirada filosófica afixada hoje no mural da repartição traduz todo meu ânimo para os próximos dias:
“Ministério da Saúde adverte: A cada copo de cerveja bebido, menos dois minutos de vida; A cada cigarro fumado, menos quatro minutos de vida; A cada dia trabalhado, menos oito horas de vida...”
Escrito por Juliano
às 20h42
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GROSSOS DE PLANTÃO
Leãozinho, que rugiu alto com o juiz auxiliar, bateu na mesa e invadiu o campo. O tal se acha. [A Fifa bem que poderia colocá-lo em um zoológico - em Tuvalu, de preferência.]
Netinho, que espancou o Vesgo, do Pânico na TV. [O pacóvio ainda diz que foi vítima de racismo. Pode?]
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Além da estupidez que os une, há outra semelhança entre os dois bestiais: ambos vendem uma imagem de gentleman. Não dá para esquecer o permanente sorriso do apresentador nem do luxo dos ternos do treinador no início da carreira futebolística.
Vale o milenar provérbio: muitas ovelhas escondem dentro da lã um lobo dos mais estorvados. Ultimamente estou ficando murcho de medo quando aparece alguém com voz aveludada e atitudes gentis.
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Ainda sobre o Pânico...
O programa é de péssimo gosto? Talvez. Esculhambação, expor ao ridículo e brincadeiras de duplo sentido fazem parte da maioria dos programas humorísticos atuais. Tom Cavalcante (TV Record) e a trupe do Casseta & Planeta (TV Globo) recorrem freqüentemente a estratégia. E nem por isso recebem bifas por aí (poder da Globo? hummm...).
Relevar é sempre a melhor saída. Se apelar, o apelido pega.
Escrito por Juliano
às 19h27
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MULHERES INDIANAS, MULHERES BRASILEIRAS
Mulheres bonitas, Ganges, castas e Ghandi. Para muitos, a Índia se resume nisso. E daí a surpresa do homem comum ao descobrir que o cinema indiano supera a concorrência hollyoodiana – quantitativamente – e que a indústria informática de lá é uma das mais bem conceituadas do mundo.
A Índia segue sendo um país de diferentes e de desiguais. As distâncias sociais são legitimadas por um proterozóico sistema de castas. Resquícios feudais, diriam alguns. Civilização diferente, defendem outros.
Essa organização social rígida é de longa data. Segundo alguns estudiosos, o sistema de castas já dura quase dois milênios. Sua origem está numa lenda: os humanos se originaram de um Ser Primeiro. Julga-se que as pessoas saíram desse corpo-base a cumprir cada qual com sua função.
Nesse raciocínio, os braços deram origem aos guerreiros (xátrias), a boca aos sacerdotes (brâmanes), as coxas aos comerciantes (vaixás), os pés aos trabalhadores braçais (sudras). Para terminar, os parias (achuta ou dalit) - que não saíram de parte nenhuma do Ser Original.
Os parias são impuros, intocáveis. São seres humanos merecedores de desprezo. Não podem sequer entrar no rio Ganges, sagrado para o Hinduísmo. Curiosamente, são os nativos da Índia, uma vez que as outras castas são originárias de povos invasores.
As atividades dos dalit estão relacionadas a impureza. Trabalham com lixo, excrementos, corpos mortos. Mesmo escapando dessas atividades, sua remuneração será sempre mais baixa.
Assim, escancara-se que pouco bem à coletividade faz o sistema de castas. Combinado ainda com um capitalismo selvagem de meter medo a qualquer vespa-do-mar, o resultado não seria nada humanamente desejável.
Pois bem. Para variar, a sociedade indiana encarna ainda profundos princípios machistas. Da concepção à morte, há profunda desigualdade entre os gêneros. Assassinato de mulher não desperta tanto interesse da justiça. Mulher estuprada? A culpa é da vítima, lógico. Quem mandou andar seminua?
Em 1989, o Estado de S. Paulo publicava uma reportagem que ressaltava a grande incidência de infanticídios entre as crianças do sexo feminino. Hoje, pouco mudou. Com uso tecnológico nos exames pré-natais, aumentou-se o aborto de meninas. Há notícias de que em muitas famílias importantes do interior da Índia gurias são raridades.
A verdade é que ser mulher na Índia não é tarefa fácil. O costume de o sogro pagar o dote da mulher ao genro, quando se casa, tem transformado o casamento em poderoso instrumento de barganha. Não é raro o moço chantagear o sogro, ameaçando encerrar o enlace caso não receba mais algumas pilas. Não são casos excepcionais espancamento de mulheres para abrir a carteira do sogro. Também não é incomum a mulher abreviar todas essas querelas, suicidando-se.
Essa é a vida das mulheres pertencentes às famílias que podem ofertar dotes 'gordos'. Imagino que as moças e senhoras parias sofram bem mais. O sofrimento é duplo, como atesta Anasuya Sengupta, feminista indiana.
Dados mostram que a violência contra a mulher é mais recorrente nas famílias de baixa renda. Obviamente, há casos bem representativos no topo da pirâmide social. Mas a possibilidade da mulher ser vítima de agressões é muito maior caso ela seja pobre e com baixo nível de instrução.
Se baixar algum “sentimento pollyana” em você, sacuda imediatamente os ombros e veja que não temos nada a comemorar (os dados são do Ipas-Brasil):
"- Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (Holanda), que pesquisou a violência doméstica em 138 mil mulheres de 54 países, 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas à violência doméstica.
- A cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto.
- As estatísticas disponíveis e os registros nas delegacias especializadas de crimes contra a mulher demonstram que 70% dos incidentes acontecem dentro de casa e que o agressor é o próprio marido ou companheiro.
- Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos.
- O Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica, perdendo cerca de 10,5% do seu PIB em decorrência desse grave problema."
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Dados da violência contra a mulher em vários países você encontra aqui.
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Hoje, 25 de novembro, é Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. A Denise organizou uma blogagem coletiva sobre o tema. A lista de participantes está aqui.
Escrito por Juliano
às 22h10
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NAVEGADORES E BLOGS
Estatísticas andam apontando para o fim da hegemonia do Internet Explorer. Fato justíssimo, considerando o inexplicável desleixo que Bill Gates tem dado ao browser. Espreitando os rumos dessa guerra de navegadores, é de se supor que a concorrência vá abocanhar fatias cada vez maiores de usuários do Explorer.
A distância que separa o Explorer dos demais ainda é enorme. O Mozilla Firefox é o que mais cresce em cima das fragilidades do Explorer. Antes pioneiro, o Netscape dá mostras de estar perdido no tempo. Nesse balacobaco todo, o que considero espantoso é a pouca popularidade do browser Opera.
Já fui usuário irredutível do Opera. A leveza e considerável rapidez no carregamento das páginas me fascinava em tempos de Internet discada. Turbinando a conexão, fui seduzido pelas inúmeras campanhas “I love firefox” e demais congêneres.
Estranhos problemas, porém, estão me deixando propenso a retornar aos velhos tempos. Primeiro, a incapacidade de o browser ler palavras acentuadas em alguns sites. Um montão de sinais substitui inconvenientemente o cê-cedilha e o chapeuzinho-do-vovô. Segundo, o FireFox misteriosamente está travando ao navegar pela Radio Uol.
Por outro lado, o Opera tem lá também seus problemas. O mais grave deles é não entender e distorcer o design e texto do blog do Smart. Talvez até para combinar com a casa-da-mãe-joana em que se transformou sua caixa de comentários, ultimamente.
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Falando de blog, falando de Opera, um parêntesis: a página oficial do navegador também hospeda blogs.
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O Afonso já postou sobre o que é, a meu ver, o maior problema dos blogs hospedados no UOL. Os blogueiros amigos Edk e Roberson já receberam nas caixas de comentários a sugestão de sair do portal. O Longe Demais parece ser o primeiro a abandonar o barco – com indicativo de acontecer em um futuro próximo, inclusive.
Eu, que tenho um longo histórico com o Blog UOL (esse não é o meu primeiro blog), sigo esperançoso de que algo mude.
Caso isso não aconteça e a paciência esgote, averigüei algumas possibilidades de hospedagem. De início, os portais brasileiros estão sumariamente descartados. Ninguém merece um weblogger da vida. Virtualog ou Theblog? Fala sério...
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Minhas impressões sobre:
a) www.blogspirit.com: hospeda o blog do Ronzi, que saiu do Blogspot. Mesmo caminho fez o Edu. Possui um sistema interessante de classificação de post e de comentários, mas vive dando pau. Não sei até que ponto é confiável.
b) www.blogspot.com - o preferido de oito em cada dez blogueiros. O único porém é a ausência de classificação dos textos.
c) www.my.opera.com - o blog do browser opera. Design é clean, mas oferece poucas opções de template. O maior problema mesmo são os comentários: apenas quem é cadastrado no site pode postar.
d) www.seo-blog-org – lento, muito lento. Logar no portal é um sacrifício. O simples ato de comentar um post exige paciência de Jó. Alem disso, a entrada dos comments não permite inserção de links. Fica lá só o nome do comentarista. Por fim, há poucas opções de templates. Fuja!
e) www.blogeasy.com – não há nenhuma opção de template decente. Uma pobreza visual que só vendo – a menos que você domine linguagem HTML. E isso não é o meu caso. O sistema de apresentação dos comentários (ao lado dos textos) o ponto forte do blog.
f) www.blogsome.com – opção interessante. Boas opções de template e funcional categorização dos post’s. A novidade aqui é um ranking dos post’s mais populares – levando em consideração a quantidade de comentários.
g) www.blog.pt (ou www.blog.com): primeiro, a desvantagem. Há um limite de armazenamento (10MB) e publicidade gratuita do google na página. E só. Excelente sistema de categorização de post’s, templates que lembram blogs desenvolvidos pelo MovableType. E o que é melhor: o gerenciamento do blog é totalmente descomplicado. Usabilidade dez. O blog é totalmente personalizável.
Caso amadureça a idéia de migrar para um outro portal, a opção será o blogsome.com ou o blog.pt. Uma horrorosa indecisão me assola desde já. Enquanto a paciência com o Uol dure, continuo cá.
Escrito por Juliano
às 13h13
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J. C. SUPERSTAR - THE RETURN
Ele é. Louco é esse Mundo-Tomé.
Escrito por Juliano
às 15h22
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MÓRBIDA SEMELHANÇA
Depois da ignomínia lançada nesse post, provo por a + b que não, não tenho nenhuma aparência com o bruxinho criado pela profícua mente da J. K. Rowling. Repilo veementemente (valei-me, Mestre Gepeto!) qualquer insinuação de envolvimento com magia; afinal, pior que CPI é a expectativa de uma fogueira-torquemadiana moderna.
Abaixo, este anônimo pequeno-blogueiro. Também abaixo, o futuro Mago dos Magos. Qualquer semelhança é mera coincidência.
 
Não sou mais bonito que ele?
Escrito por Juliano
às 18h23
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O ARAGUAIA É ALI...
Mesmo considerando que os rios de planície são pouco profundos e que os efeitos da atual estiagem são sentidos também na bacia do rio Tocantins, é de causar estranheza atravessar o rio Araguaia com as águas pela cintura.
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Para tanta beleza, faltou somente a máquina fotográfica, o violão e o Repelim (ggrrr....). Para quem é tão esquecido [;)], ficou até de bom tamanho.
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O único pesar foi um toco. Sim, tinha um toco no caminho.
A primeira manhã estava radiante. Uma variante de futevôlei na praia prometia. O mais compenetrado e eficiente gandula esperava ansiosamente sua vez para mostrar toda sua habilidade. Habilidade essa que faltava nos demais competidores, dada a distância que a bola foi arremessada em direção ao mato. O gandula, descalço. O toco, escondido na folhagem. Um buraco no calcanhar e alguns litros de sangue, o resultado.
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Depois ainda queriam me usar como isca para pescar piranha, vê se pode.
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As dores e a pouca mobilidade permitida pelo pé dodói não foram suficientes para macular o prazer que as águas do Araguaia podem proporcionar. Aquilo é o paraíso.
Escrito por Juliano
às 07h19
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VIAGENS
As viagens oficiais podem ser um bom indicador da importância dos barnabés. Enquanto alguns se divertem comprando sapatos uruguaios e alfajores portenhos, outros se embrenham pelos mais recônditos lugares da hiléia brasileira.
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Uma semana fora de casa e trabalhando os três períodos é de amansar qualquer jacaré-açu.
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Gangue invade o colégio e mata um garoto. Notícia de cidade grande ocorrida em uma das centenas de vilinhas emancipadas do norte do país. Se sua cansada epiderme urbana imagina o interior brasileiro como algo paradisíaco, esqueça.
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Caso queira curtir o feriadão às margens do rio formador da maior ilha fluvial do mundo, a hora é agora.
Só não esqueça o Repelim, por favor.
Escrito por Juliano
às 22h34
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RELAÇÃO VENENOSA
Suposto diálogo entre a primeira mulher a ocupar uma vaga na Câmara dos Lordes, Nancy Astor, e o primeiro ministro inglês, Winston Churchill:
- Winston, if I were your wife I'd put poison in your coffee.
- Nancy, if I were your husband I'd drink it.
Escrito por Juliano
às 07h23
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FINADOS
A morte é um tema que sempre me deixou extasiado. Histórias sobre essa famigerada eram minhas preferidas na infância. Uma delas me tocava profundamente: a existência de um povo por aí que chorava quando alguém nascia e promovia a maior festança quando alguém morria. Era o trágico subordinado a alegria.
Não chego a ter esse comportamento, necessariamente. A comparar com as pessoas que me rodeiam, contudo, sinto-me meio que deslocado. A morte não me amedronta; só quando ela rodeia meus amigos, parentes e conhecidos que me descabelo.

Talvez seja isso um exemplo perfeito para ilustrar a teoria de Morin sobre a morte. Quanto mais forte a individualidade do outro esteja presente sobre a nossa, maior a violência da perda. Por isso ninguém se esquenta com a morte de um vizinho pé-rapado qualquer e se comove profundamente com o obituário de alguma estrela. Assim, a morte é muito mais um evento social do que um mero fato biológico.

Para Lewis Mumford, renomado historiador estadunidense, foi esse evento social um dos principais influenciadores na sedentarização do homem. Os nômades sempre retornavam aos locais onde haviam parentes enterrados. Esses lugares, apropriadamente denominados de necrópoles, deram origem às primeiras gerações de cidades. Curiosamente, as cidades dos mortos deram origem as cidades dos vivos.
 
Partindo do vivido, e não do concebido, o geógrafo paulista Eduardo Rezende estudou os múltiplos usos do cemitério. O objeto de pesquisa foi o cemitério de Vila Formosa. O autor é um exímio conhecedor dessas áreas. Mais de 400 receberam sua visita. Em Metrópole da morte, Necrópole da vida, Rezende mostra que existe sim vida nos cemitérios. Nem que seja para empinar pipas e soltar balões.
E assim, a alegria subverte a tragédia da morte, do fim, mais uma vez.
Escrito por Juliano
às 11h14
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