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Gatunagem

1997. Finalzinho de expediente, lá pelas tantas da madrugada. Eu estava particularmente tenso no meu primeiro emprego. Não era para menos; na semana anterior, havia passado pelo primeiro e único assalto sofrido até hoje. Na ocasião, levaram uma moto e todo o dinheiro do dia.

Já na hora de recolher as mesas e as cadeiras, um grupo dobrou a esquina e se dirigiu ao bar. Desconfiado, o chefe me pediu pra ficar de olho. Enquanto limpava as mesas no salão interno, todos os sentidos buscavam algum movimento suspeito.

Depois de algum tempo acostumando com o gralhar dos rapazes, desapercebi da vigília. De repente, o barulho do bando foi sucedido pelo silêncio da madrugada. Olhei pra fora, o grupo havia ido embora. Alívio.

Se eles não tivessem carregado a mesa e algumas cadeiras, a suspeição teria sido apenas fruto do trauma anterior.

Escrito por Juliano às 12h36
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Jornalismo. Branco, marrom, ou outra cor qualquer?

Cleber Toledo possui um dos domínios eletrônicos mais visitados por computadores tocantinenses. Toledo, jornalista, é tido com um dos melhores de sua profissão no Estado.

Nos últimos dias, o blog (que, apesar das semelhanças, é sempre chamado de “site” por seu criador) tem batido recordes de comentários – aprovados. Dado o (baixo) nível de discussão, é de se pensar que o número real de comments é muito maior.

Mas não é isso que tem chamado minha atenção, ultimamente.

Jornalistas brasileiros têm, no geral, uma sanha, sabe-se lá de onde e quando, em associar ‘credibilidade’ com ‘isenção’. E mais: imaginam que as ‘boas reportagens’ são aquelas em que o repórter não manifeste sua posição. Esquecem, sobretudo, que a própria isenção já é uma posição...

Os leitores, quando descontentes do posicionamento divergente do jornalista, possuem argumentos bastante semelhantes. Exigem ‘neutralidade’, ‘imparcialidade’.

Em se tratando de coluna política, tema em que as paixões naturalmente são afloradas, essa sanha aparece com mais vigor. E o Cleber Toledo tem sofrido muito com isso.

Primeiro, pela decorrência da própria configuração dessa eleição, bastante polarizada. Ou você é partidário do atual governador Marcelo Miranda ou faz parte do grupo do ex-governador Siqueira Campos – desconsiderando até outros três candidatos, que, somados, não tem conseguido superar os 5% de intenção de voto nas últimas pesquisas.

Segundo, pelo reconhecimento de que tanto um lado quanto o outro está fiscalizando seus textos, intencionando filtrar qualquer ‘favorecimento’ a candidatura rival.

Terceiro, pela quantidade de ameaças que diz sofrer por parte de partidários do atual governador (se bem que as ameaças do outro candidato são muito mais evidentes e palpáveis, como demonstrado pelas quatro edições apreendidas do ‘Ditador do Cerrado’, livro do também jornalista Rinaldo Campos, preso por trinta e seis dias mediante ordem do ex-governador).

O estado de tensão iniciou-se com esse texto, de dia 15/09 ("Não aceito liberdade vigiada!"). Até então, era comum ler críticas de ambos os lados nos comentários do blog. Era. Nesse texto, Toledo denuncia um suposto estado de ‘liberdade vigiada’. Essa mesma ‘liberdade vigiada’ do qual reclamava o jornalista o fez dar explicações, dias depois, no próprio blog. Especularam sobre suas companhias em bares após os debates políticos (a maioria dos debates é intermediada pelo jornalista).

Depois disso, agressão pura. Generalizou um dos grupos (os ‘marcelistas’) como tolhedores da liberdade de imprensa e, a partir de então, passou a ser elogiado pela ‘isenção’ e ‘imparcialidade’ pelos ‘siqueiristas’.

A tensão continuou. Aumentou-se o número de pesquisas eleitorais. Apareceu um cheiro de virada no ar. O ex-governador, absoluto nas intenções de voto, viu-se empatado com Marcelo Miranda.

São três institutos, basicamente, que estão fazendo levantamento de intenção de voto. O IBOPE e o SERPES, geralmente pagos pela afiliada da TV Globo, e o Instituto Ímpar, contratado do Jornal Primeira Página, empresa de propriedade da Família Siqueira Campos.

Reconhecidos nacional (IBOPE) e regionalmente (SERPES), esses dois institutos já têm um histórico crível de acertos. O mesmo não se pode dizer do Instituto Ímpar. Não há sequer informações on-line sobre esse tipo de trabalho. E o que dizer do contratante?

Todavia, o jornalista resolveu centrar fogo nos erros do IBOPE e do SERPES. Tentativa óbvia de desacreditar as pesquisas feitas no estado por esses institutos. Nas matérias postadas, por exemplo, incluiu uma sobre contrato do filho do dono do IBOPE com o Governo do Estado ("Empresa do filho do dono do Ibope ganha incentivos fiscais do governo Marcelo"). No mesmo dia, a mesma foi citada no programa eleitoral da oposição. Coincidência? Eficiência da equipe de Mídia do comitê político? Não se sabe ao certo...

Troquei alguns e-mails com Toledo. Além de muito atencioso, o jornalista é bastante ágil nas respostas das mensagens. Argumentou, em uma delas, que não acreditava em ‘imparcialidade’, muito menos em ‘isenção’, arrazoando que a credibilidade do jornalista está em não mentir, muito menos omitir fatos acontecidos - o que concordo ipsis literis.

Enquanto isso, e contraditoriamente, seus leitores siqueiristas continuam louvando-o por sua ‘isenção’ e ‘imparcialidade’ (e os 'marcelistas', também enviesados, consideram o jornalista 'comprado'). Mas que é difícil qualificar um texto desses ("Pacificamente e também no cacete") como imparcial e isento, ah, isso é...

A assunção da parcialidade não o desqualificaria. Pelo contrário: seria uma louvável ilha nesse mundo hipócrita do 'jornalismo chapa-branca' e 'desinteressado' que grassa no Brasil.

Escrito por Juliano às 19h17
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Pinóquio

"A arte de mentir é o mais forte reconhecimento da força da verdade".
William Hazlitt, escritor inglês

Amparo psiquiatra aqui.

Escrito por Juliano às 19h52
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Por que...

...as operadoras de adsl oferecem 'suporte técnico' se após dois minutos de conversa já recomendam um 'técnico particular'? E essa corja sabe muito bem como ser burocratas no atendimento e solução do problema, mas capitalistas selvagens na hora da conta.

Fato é que, após esquecer o HD principal há mais de mil quilômetros de distância, um Pen Drive deixou de ser objeto de luxo.


Escrito por Juliano às 22h29
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A fórmula

Feriado + Recesso + Fim de Semana + Congresso Científico (uma semana) = blog abandonado.

Retorno esperado: 18 de setembro.

:|

Escrito por Juliano às 13h36
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Explicação karajá para ‘aqueles dias’

No princípio, um pai bastante ciumento tinha uma filha virgem, já em idade de casar. A beleza da filha atiçava ainda mais o cioso pai. Não queria deixá-la casar com qualquer um.

O velho era excessivamente criterioso. Pra cada pretendente, colocava uma dura exigência, uma prova a ser realizada. Capturar onça, recolher uma dúzia de dentes de jacaré e atravessar o rio Araguaia, cheio de piranhas, pelado e com o corpo coberto de sangue de boi eram algumas das dificílimas tarefas dadas aos candidatos a genro.

Todos ficavam pelo caminho. Exceto um, que cumpriu todas as provas e, como prêmio, exigiu a moça em casamento.

Entretanto, o velho não havia entregado os pontos. Como última cartada, palmilhou todo o rio Araguaia na busca de raríssimas piranhas vermelhas e colocou-as no útero da filha. O velho avisou o futuro genro (ainda bem!) e entregou a moça em casamento.

Desconfiado, o índio, meio a contragosto, resolveu pedir ajuda a um velho amigo, um macaco prego. Deu-lhe a possibilidade de ter a primeira noite com a sua esposa. Não deu outra. Na primeira investida, as piranhas avançaram no macaco e arrancaram-lhe o prepúcio (e, por isso, até hoje o macaco prego é naturalmente circuncidado).

O sortudo não desanimou. Consultando um velho pajé, descobriu uma alga (também raríssima) mortífera para as piranhas. Após consegui-la, em dois dias de aplicação conseguiu matar todas as piranhas.

Aliás, minto. Ficou uma. Pequenininha e arisca, escondeu-se lá no fundo da entrada feminina. Até hoje, e de mês em mês, em ataque feroz, faz a mulher sangrar pra caramba. Não é bom mexer com as moças nesse período – uma vez que a pequena-piranha-interior está muito brava e pode morder qualquer coisa nas proximidades (ui!).

***

Essa é uma lenda karajá. Certamente muito didática na educação sexual dos pequenos karajá. “Meu filho, se cuide. Não dê trela pras meninas, tá?” Ou: “Minha filha, agora quero que você namore o filho daquele cacique rabugento...”

***

Ontem foi o último dia dos Jogos Indígenas do Tocantins, realizados em Palmas. O evento contou com representantes das sete maiores etnias indígenas presentes em território tocantinense. Uma ótima oportunidade para conhecer a diversidade cultural do índio brasileiro.

Escrito por Juliano às 01h07
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Sarney, o senador maribondo (para registro)


Pichação feita em muro, no Amapá, fotograda e publicada no blog da Alcinéa Cavalcante (blog deletado mediante ação judicial. Novo endereço aqui). Via Idelber e Uol.

Será que a turma do Sarney já derrubou o muro? Ou os assessores já "Apagaram tudo/Pintaram tudo de cinza/A 'figura' no muro/Ficou coberta de tinta", parafraseando Marisa Monte?

Uai...

"Nós que passamos apressados/Pelas ruas da cidade/Merecemos ler as letras"

Cadê o pichador? Já foi preso? Ah, esse bigodinho... (link para imagem aí no 'bigodinho' foi removido por sugestão de meu advogado. Sabe-se lá, né...)

Escrito por Juliano às 00h28
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após sessão do descarrego

não estou mais vendo vultos / não estou mais ouvindo vozes / meu deus / estou surdo / estou cego

Escrito por Juliano às 02h27
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