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U-rru!
De férias, oficialmente. Do blog também. Só não dos comments em blogs amigos (presença ocasional, uma vez que internet não estará mais inteiramente à disposição). Então, feliz natal e próspero ano novo a todos.
Escrito por Juliano
às 18h53
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Desejos de rei deposto não devem ser respeitados
Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edito real, e escreva-se entre as leis dos persas e dos medos para que não seja alterado. Livro de Ester, 1:19
A retirada de um adereço do Palácio Araguaia, sede do governo estadual, transformou-se na maior pendenga ocorrida esse ano em terras tocantinenses (desconsiderando as eleições, evidentemente). Duas esferas de aço metálico dourado, de quase quatro metros de diâmetro, foram retiradas das alas sul e norte do Palácio. Reformá-las era a explicação inicial. Atualmente, é quase consensual que elas não voltam mais – pelo menos na gestão atual.
  Palácio Araguaia. Em destaque, uma das esferas.
Endossa a posição do atual governo um dos responsáveis pelo planejamento urbano da capital, o arquiteto Walfredo Antunes. Para ele, a inclusão das esferas foi feita sem o consentimento dos autores do projeto do Palácio, o que fere a lei de direitos autorais. O Palácio foi construído na primeira gestão do ex-governador Siqueira Campos - candidato ao governo derrotado nas últimas eleições no Tocantins.
As duas esferas são inspiradas, entre outros valores simbólicos, na história egípcia (!). Para os egípcios, o deus-sol emanava energia suficiente para proteger ‘seu povo’. Uma maluquice descontextualizada.
Os adendos palacianos expulsos são símbolo de uma era em que determinado representante do já roto coronelismo mandava e desmandava, e seu simples desejo tinha força de lei. Enxovalhar os perdulicários tem muito mais efeito político do que técnico e legal: é o símbolo da ‘desestanilização’ (que Stalin me perdoe...) do Tocantins.
Escrito por Juliano
às 18h49
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Efeito São Mateus
Quando criança, “ser cientista” era uma pronta resposta a tradicional indagação “o que você vai ser quando crescer”. Tinha uma vaga impressão do que era essa profissão (não escapava do afamado estereótipo homem-de-branco-em-laboratório-asséptico-manipulando-misteriosos-líquidos), mas plena convicção de que deveria estudar muito – e isso, para mim, era suficiente.
Não me tornei um cientista, stricto-sensu. Muitas outras pessoas que compartilhavam o mesmo sonho que eu, porém, conseguiram. Levantamentos indicam que 90% dos cientistas que já apareceram pelo planeta Terra ainda estão vivos. O número de pesquisadores duplicam a cada dez anos. Já tem gente profetizando que, no futuro, todos serão cientistas. E isso não quer dizer que o princípio da igualdade de oportunidades valerá.
A maioria dos cientistas atuais vive proletarizada em lucrativos laboratórios. Circunstâncias especiais permitem a formação de uma elite científica dirigente dos rumos das pesquisas – nos centros de pesquisa ou nas universidades. Entre essa elite e um cientista comum há uma distância abissal. Recursos, prestígio, repercussão de novas idéias, são variáveis que diferenciam o cientista-general de um cientista-soldado.
Essa rígida “divisão social” é oportunamente sublinhada por Robert Melton, um sociólogo estadunidense, como Efeito São Mateus: “Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado” (Mateus, 25:29). Precocemente descoberto, o Efeito São Mateus traumatizaria crianças sonhadoras com muito zelo pelos estudos. Felizmente, as piores descobertas se dão quando adulto.
Escrito por Juliano
às 20h20
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Privacidade no Orkut? Nem na morte
Conheci Paula Vitoria em 2002. Uma boa menina, bonita, inteligente, adorável. Devia ter treze, catorze anos. Era uma das melhores alunas da sétima série. Findado o ano, Paula trocou de Colégio e nunca mais a vi. Ontem, folheando jornais de dias anteriores no trabalho, encontrei seu nome. Acidente automobilístico horrível. O nome me ligou imediatamente a pessoa. Tentei achá-la no orkut. E sim, era ela, infelizmente.
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De tantas reflexões filosóficas sobre as razões da vida e da morte, ficou-me uma questão menor: a violação de privacidade na vida – e na morte – proporcionada pelo Orkut. Em vida, os abelhudos e fofoqueiros de plantão são o problema. Na morte, são [perdoem-me o palavreado] uns filhos da puta sem noção (fakes, geralmente coletando informações em uma mórbida comunidade) que invadem scrapbooks para agredirem gratuitamente a memória e os sentimentos da família do finado. Antes, deletar recados imediatamente resolvia; agora, é ideal revelar a senha para três amigos, no mínimo, para deletar sua conta post mortem e preservar os seus conhecidos e parentes de um ataque de nervos.
Essa invençãozinha turca tá perdendo a graça.
Escrito por Juliano
às 21h57
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Talião
 
Eles mataram, prenderam, torturaram, aterrorizaram. Mas ainda acho a pena de morte uma decisão pra lá de anacrônica em tempos pós-modernos.
Escrito por Juliano
às 10h25
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"Ele está vivo?"
Essa foi uma das poucas falas na primeira aparição de Rodrigo Santoro na terceira temporada de Lost, semana passada. Essa semana, Santoro resmungou mais umas duas ou três frases - insignificantes, do ponto de vista da trama.
Alguma semelhança com sua participação em "As Panteras: Detonando"?
A diferença pode estar no humor do ator. O garoto está nervosinho com a cobertura da imprensa brasileira.
Mania de grandeza, essa. Ficar no Hawaí em uma ilha paradisíaca é melhor opção do que trabalhar em alguma cidadezinha do leste estadunidense lavando prato.
Menino ingrato.
Escrito por Juliano
às 21h55
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